quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Poeminha

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Se soubesse romancear
Como certa amiga minha
Que considero rainha
Na arte de versejar...

Se, acaso, como tem ela
Tivesse em minha janela
A luz da lua no mar...

Talvez pudesse arriscar
Um verso, uma poesia
Vendo a onda, noite e dia
Ali a me namorar.

Mas, por esse descompasso
Não vejo os beijos e abraços
Que ela pode enxergar.


A.L.Oliveira/ago/2008
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quero-quero



É sentinela avançada
Resquício da luta armada
Que se travou neste pampa
Lembrando bem a estampa
Do destemido guerreiro
Que avistava primeiro
Uma invasão na coxilha;
Pois reproduz a bravura
Dessa lendária figura
Do soldado farroupilha.

Sempre alerta, sinaleiro
Como se fosse escoteiro
Atento a seu compromisso
Jamais dormiu em seu serviço
Pra não perder um conflito
Ganhando, às vezes, no "grito"
Que recebeu de herança;
Porém, se invadirem a casa
Não raro, saca da asa
A mais poderosa lança.

Ave garbosa e valente
Espanta animal ou gente
Que ignore os sinais
Ou, se aproxime, demais
Do filhote em crescimento
Pois, nesse exato momento
Em geral, na primavera
Ao defender o seu ninho
Deixa de ser passarinho
Pra se tornar uma “fera”.


A progressão da família
Depende dessa vigília
Pois são tantos invasores
Inclusive,  predadores
Do mundo dos animais
Que desde seus ancestrais
Fustigam a população
Daqueles que a natureza
Foi madrasta, com certeza
Ao dar-lhes ninho no chão.

A.L.Oliveira/ago/2006

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pedra Preciosa - PY2 DHP

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Além daquela que canta,
Há outra pedra, também,
Que cintila e que encanta,
À beira do Itanhaém.

Igualmente majestosa,
Reúne o canto e a prosa
Somente num elemento.

Moldada na rocha pura,
Pela constância do vento,
Transformou-se em escultura
Extremamente polida.

É um brilhante, um colosso
É pedra de carne e osso
Lapidada pela vida.

A.L.Oliveira - PY3AL -Jan/2008

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cem Anos de Poesia

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O poeta, um visionário
De tudo faz poesia
Enxerga estrelas de dia
Vê a lua em toda parte
Avista as musas da arte
Nos lugares mais diversos
Por vezes, até bravios
Mas, não mede desafios
Pra colocá-las nos versos.

Percebe o que não é visto
Pelo comum dos mortais
Que não ousaria, jamais
Penetrar na própria alma
E, dali, extrair com calma
A melhor foto, a imagem
Dos recônditos da vida
Onde estaria escondida
A essência da mensagem.

Revela clarividência
Quando em noites sem luar
Descreve o céu e o mar
Na cor azul, semelhante
Aquela que o fez, brilhante
O nosso Grande Pintor;
Pois, quem alcança esse tom
Com certeza tem um dom
De origem superior.

Um desses iluminados
Muito amou nossa cidade
Foi o papa, a santidade
Dos poetas rio-grandenses
Sendo um ”portoalegretense”
Por honra e merecimento;
Aplausos, portanto, ao Mário (*)
Celebrando o centenário
De seu próprio nascimento.

A.L.Oliveira/julho/30/2006


(*) - Mário Miranda Quintana, natural de Alegrete, nasceu em 30.07.1906. Viveu em Porto Alegre, onde recebeu o título de cidadão honorário em 1967. Faleceu em 05.05.1994.

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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Canta, Canta, Sabiá

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Na madrugada, antes do raiar do dia
A sinfonia, nas manhãs de primavera
Não é quimera, é real, pura verdade
Quando a cidade ouve a linda serenata
Vinda da mata, gravada ao vivo por lá
No bico do sabiá, hoje morador urbano
Que a cada ano vem à guisa de acalanto
Unir seu canto ao quadro raro da beleza
Que a natureza, oferece ao ser humano.

Talvez como eu, também ele um retirante
Que vaga errante à procura de seu lar
Hoje, ao lembrar, fique triste, magoado
Já que o roçado da origem de seus pais
Não existe mais da mesma forma e jeito
Tal como foi feito, com engenho e arte
Sendo um estandarte bordado a esmero
Que tinha o tempero e a aura do amor
Cujo resplendor se via em toda parte.

Quem sabe, agora, só se espanta o tédio
Não há mais remédio, nem há retrocesso
Coisas do progresso, que só vai à frente
Deserdando a gente de quaisquer apegos
Pra buscar empregos, novas oportunidades
Nas grandes cidades, onde a convivência
Pede mais prudência, exige mais coragem
Pois a bandidagem, especialmente à noite
Aplica seu açoite, com mais violência.

Cantemos parceiro, porém, mais baixinho
Pra ocultar o ninho, de algum malfeitor
Ante o desamor que têm certas pessoas
Que só tecem loas a quem faz maldade
Infligem crueldade a homens e animais
Apóiam marginais e brigam por bandidos
Sempre absolvidos, por “ um tal direito”
Que trata o sujeito que prefere o mal
Como sendo igual aos mais comedidos.


A.L.Oliveira/out/20
05
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cada Um na Sua

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Adormeci, sonhei ser poeta
mas, sem musa nem assunto
pois não vinha no bestunto
qualquer coisa aproveitável
foi então que achei viável
pra sair dessa enrascada
versejar sem dizer nada
riscando a esmo um papel
sem ter lápis ou pincel
nem mesmo a cor desejada.

Enquanto não vinha o mote
Buscava mil devaneios
que desprezava, eram feios
por fugazes, e, abstratos
tal e qual fossem retratos
desfocados, cuja imagem
vista apenas de passagem
com a rapidez de um raio
e, quase sempre, de soslaio
não passavam de miragens.

Busco então velhos arquivos
lá do fundo da memória
a procura de uma estória
guardada nalgum cantinho
quem sabe, certo escaninho
em desuso, anos a fio
vou direto, sem desvio
esperançoso, com certeza
mas tenho a grande surpresa
de encontrá-lo vazio.

Resta agora tão somente
depois do sonho acabado
lembrar de um velho ditado
na falta de outra saída
e partir pra despedida
com um sorriso amarelo
sincero, humilde, singelo
embora bem verdadeiro
“quem nasceu pra sapateiro
não vai além do chinelo”.

Antonio Luiz de Oliveira – jun/2005
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Singela Homenagem

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Rememoro nestes versos de pura simplicidade
O registro da saudade de uma eminente figura
Que faz parte da cultura e do mapa da Capital
Pela forma magistral como expressou seu amor
Ao falar do esplendor das avenidas e praças
O que fazia com graça, por vezes, com ironia
Percebendo poesia em cada rua ou esquina
Na verdadeira rotina, de andar em caminhadas
Geralmente, encetadas, a qualquer hora do dia.

Aqui viveu esse moço, procedente do interior
Que se tornou escritor do porte mais elevado
Um poeta respeitado pela força de sua pena
Que deslizava serena ao imprimir no papel
Seu pensamento fiel, capacitado, eficaz
Não raro, até mordaz, ao fazer de coisa séria
Desde a gostosa pilhéria, até um texto erudito
Que logo seria escrito na revista ou no jornal
Editado, ao final, como sisuda matéria.

Deixou a terra natal, quando ainda era menino
O rapazote franzino, que veio seguindo a trilha
Traçada pela família, bem longe, no Alegrete
E, aqui se fez ginete, um domador das palavras
Saindo da sua lavra, tantos livros, tantas glórias
Integrantes da história desta querida cidade
Que teve a felicidade de hospedar o contista
O escritor e jornalista mais amado dos leitores
Aprovado, com louvores, pela sensibilidade.

Falei de Mário Quintana, poeta de nascimento
Que usou do seu talento, um dom da sabedoria
Criando no dia-a-dia sempre um motivo a mais
Pra leitura dos jornais se tornar mais atrativa
Pela forma criativa com que descreveu a vida;
Mesmo, após a despedida, sua obra é o cenário
Do primeiro centenário, comemorado este ano
Lembrando quão soberano, didático e profundo
Foi o que legou ao mundo, o poeta legendário.


A.L.Oliveira/ago/2006
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