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sexta-feira, 29 de março de 2013

Saudades

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No meu tempo de criança fiz tudo àquilo que pude,
joguei bolinhas de gude, tive  meu gado de osso
acolherado ao pescoço com corda feita de embira,
devidamente trançada, depois de bem descascada
e unida tira por tira.

Tomava banhos de sanga na melhor praia da gente,
com água limpa e corrente, de verdade, sem mentiras,
onde os jundiás e traíras tinham mais de palmo e meio,
contando só os “menores”, pois, se falar nos maiores,
vão pensar que é devaneio...

Tive meu carro de lombas com rodas feitas a facão,
no qual corri muito chão, encima de uma forquilha,
descendo várias coxilhas com garbo e felicidade,
talvez, a cinco por hora, conforme recordo agora,
da “grande velocidade...”

Brinquedo bom e barato, porém, às vezes, suplício,
quando exige o “sacrifício” da garota ou do garoto
que se meter a piloto, sem estar bem preparado,
pois, como tudo na vida, só se acha uma descida,
depois do morro escalado.

Saudades do que se foi, do vagar e da inocência,
bem longe da violência que impera hoje no mundo,
e, sepulta em solo profundo todo o amor das criaturas,
levando os homens de bem a se trancarem, também,
nas mais fechadas clausuras.

A.L.Oliveira/set/2010
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terça-feira, 10 de julho de 2012

Benzeduras

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Fui criado em liberdade
Como vento em campo aberto
Sem nenhum doutor por perto
Nem remédios, nem receitas
Ou qualquer prova a ser feita
Numa eventual doença
Quase sempre havendo cura
Só com chá ou benzedura
Conforme mandava a crença

As infusões eram feitas
Com as ervas da natureza
Milagrosas, com certeza
Nos males de pouco porte
Quando o sujeito, com sorte
Sarava em menos de mês
Só com a fé na eficácia
Fazendo com que a farmácia
Perdesse mais um freguês

Recordo de minha avó
Benzendo pra mau olhado
Catapora, nervo quebrado
E outras anomalias
E, as palavras que proferia
Com firmeza e devoção:
"Te corto cobreiro brabo
Separo cabeça e rabo"(*)
Na forma da tradição

À vovó Maria Antônia
Minha singela homenagem
Na transcrição da mensagem
Guardada como lembrança
Respeitando essa cultura
Que mantém as benzeduras
Com seu próprio linguajar:
“Cobreiro eu te benzo e tu hás de sarar
Com este galhinho da Virgem Maria
Pedindo que ela não deixe cruzar
Cobreiro de aranha, de sapo te benzo
E a Virgem Maria te há de curar”

A.L.Oliveira/jun/2011

(*)=Cobreiro ou cobrelo = erupção cutânea causada pelo contato de cobra,
aranha ou sapo nas vestes do paciente, segundo antiga crença popular.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Marcas Do Tempo

=h=h=h=h=h=h=h=h=h=h=h=h=h=

As coisas que marcam o tempo,
cada qual tem seu papel:
o relógio, por exemplo,
implacável e cruel,
faz seu serviço de graça.

Passo a passo, lentamente,
encolhe a vida da gente,
a cada hora que passa.

O espelho, fiel, sincero,
com ele ninguém se ilude,
agrada na juventude,
mostrando a força, a beleza,
mas, agride, na velhice,
refletindo a rabugice,
que é própria da natureza.

A idade o torna embaçado,
parece um tanto zangado,
ralha, implica, renitente.

Quando lhe encaro de frente,
me ocorre certa amargura,
pois, travo enorme peleia,
com um velho de cara feia,
que mora em sua moldura.

A.L.Oliveira/dez/2005
=h=h=h=h=h=h=h=h=h=h=h=h=

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Baú de Memórias

-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s

Velho baú de memórias
Recheado de histórias
Tão antigas quanto o dono
Mas, também, ao abandono
Tem hoje a mesma desdita
E alguns dilemas cruéis
Por não dispor dos papéis
Aonde foram escritas.

Ambos fechados por dentro
Constituem o epicentro
De discussões muito duras:
Pois, um tem a fechadura
Completamente emperrada
E, o outro, de tanto uso
Mais parece um parafuso
Com a cabeça enferrujada.

Se não contas, não te conto
É este mesmo o confronto
Num desfilar de lamentos
Entre dois velhos birrentos
Que já perderam a esperança:
Só falam se perguntados
Ou, então, ficam calados
Enquanto a idade avança.

O registro, às vezes, some
Ao precisarem do nome
De um amigo ou conhecido
Confessando, desenxabidos:
Desculpa, me deu “um branco”
Pois, quase ao final da estória
Em geral, volta a memória
De novo, a pegar no tranco.

E, assim, vão levando a vida
Nesse andar de despedida
De um mundo sem piedade
Onde a tal “melhor idade”
Não passa de uma falácia
Talvez, um termo jocoso
Pra não dizer que o idoso
É um “amante da farmácia”.

A.L.Oliveira/set/2008
-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Felicidade

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Sou feliz, abençoado,
Contente por ter ao lado
As coisas lindas da vida,
Dentre elas, mais querida,
A namorada, a parceira
Que, comigo, a vida inteira,
Vem exaltando a beleza,
O carinho, e, o afeto
Com que o Grande Arquiteto,
Construiu a natureza.

Nosso rancho é na coxilha,
Feito à beira de uma trilha
Que serpenteia na mata,
Pra nos levar à cascata
Onde ocorre noite e dia,
Um festival da poesia
Jamais escrita em papel;
Pois, ali, até as mágoas,
No cantar daquelas águas,
Também brincam de “rappel”.

Bem ao longe, no horizonte,
Brilha cedo a grande fonte
De energia dos pagos,
Pra refletir-se no lago,
Que é manancial importante,
No qual as aves migrantes
Vêm acampar no entorno;
Onde aquelas lá do Norte,
Encontram alimento forte,
Pra viagem de retorno.

À noite, vemos no campo,
Vasto mar de pirilampos
A bailar de forma arisca,
Brincando de pisca-pisca,
Ou, talvez, de apaga, apaga,
Numa seqüência que afaga
Mesmo a alma empedernida,
Que viu tudo e não viu nada,
Nessa longa caminhada
Pelas estradas da vida.

A.L.Oliveira/jul/2007
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Desesperança

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"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto" (Ruy Barbosa, 1914)


Num discurso magistral
Há mais de noventa anos
Vislumbrava esse baiano
Grande orador e jurista
O começo de uma lista
Que hoje cresce demais
Sem respeito aos tribunais
Nem aos “nobres” deputados
Cujo rol, dos mais ativos
Traz gente do Executivo
E, do “austero” Senado.

A matéria é recorrente
Embora muito antiquada
Pois, volta atualizada
Numa previsão profética
Sendo a tal falta de ética
Nos escalões superiores
O principal dos fatores
Para o motivo funesto
De levar o homem honrado
A tornar-se um revoltado
Por conta de ser honesto.

Não havendo dignidade
Nem referência aos valores
Vai perdendo seus pudores
Pra conservar as virtudes
Que as trouxe da juventude
Carregadas como herança
Pois, chega à desesperança
Ao ver tantos desenganos
Sem falar no “mar de lama”
Que transborda e se derrama
Num verdadeiro oceano.


A.L.Oliveira/jul/2007
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Envolvimento e Compromisso

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A cultura de almanaque
Que dizem ser de araque
E pouco nos acrescente
Mostra uma tese recente
De brincadeira, é verdade
Explorando a profundidade
De um terreno movediço
Ao falar do envolvimento
Tão em voga no momento
Comparado ao compromisso

Quando apenas se envolve
Quase tudo alguém resolve
Só por presença ou trabalho
Como a carta do baralho
Que após jogo ou brincadeira
Volta ao lugar sempre inteira
Igualzinha ao próprio início;
Já no comprometimento
Haverá certo momento
Que demanda sacrifício

Como exemplo do conjunto
Cita os ovos com presunto
Prato à moda brasileira
Feito sempre da maneira
Que todo mundo conhece
No qual vemos que aparece
Além do grande capricho
A visão clara demais
Dos produtos essenciais
Fornecidos por dois bichos

Nele temos a galinha
Que se envolve ali sozinha
Para a feitura do prato
Num esforço meio ingrato
Mas sem perder uma pena
Pois termina em cantilena
Sua parte no assunto:
Enquanto o comprometido
Pobre porco, o mais sofrido
Precisa virar defunto

A.L.Oliveira/mar/2008

=o=o=o=o=o=o=o=o=o=o=o=o=o=o=o

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cadê A Nossa Grana

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Descubro um tema esquecido lá no fundo do intelecto
Referente a um objeto, tanto bom quanto sinistro
Que desde os tempos de Cristo move a ambição humana:
Quem tem bastante quer mais e quem não tem corre atrás
Numa disputa insana

Velho amigo, inseparável, da maldita corrupção
Coloca irmão contra irmão, os filhos brigam com os pais
Separa, às vezes, casais, e, não escolhe parceiro
Pois, até o Grande Mestre, em sua andança terrestre
Foi traído por dinheiro

Ocupavam-se os romanos do império e do comércio
Utilizando o Sestércio (269 ªC), moeda feita de cobre
Cuja valia era pobre se comparada ao Denário (190 ªC)
Esta sim com estrutura, cunhada em prata bem pura
De valor extraordinário

Aqui nesta amada pátria, lá em séculos passados (1580)
Nós já tivemos Cruzados, e, mesmo até o Real
Herdados de Portugal (1435) com todas suas frações:
Vinte réis eram um Vintém, e cem réis nos lembram bem
Os valiosos Tostões

A moeda e seus valores se mantiveram fiéis
E se chamava Mil-réis (1822) a unidade inteira
Da moeda brasileira de maior longevidade:
Tinha prata nos Patacões e tinha ouro nos Dobrões
Com boa estabilidade

Perdurou por longa data até chegar o Cruzeiro (1942)
Desejado companheiro daquele tempo risonho
Que alimentou nosso sonho de riqueza e de virtude:
Onde a moeda faltava, mas, a ambição sobrava
Na força da juventude

Após vinte e cinco anos, para alegria do povo
Surgiu o Cruzeiro Novo (1967), reforçado, a toda prova
Depois da tremenda sova que levou da inflação:
Mas ela, sempre à espreita, voltou à primeira feita
Tomando as rédeas na mão

Seu crescimento e saúde fez ressurgir o Cruzeiro (1970)
Valente, todo faceiro, para agüentar quinze anos:
Pois diante dos desenganos, e, da falta de atributos
Deu um tempo, caiu fora, passando a esperar a hora
De um novo substituto

A ciranda inflacionária girava em velocidade
Trazendo a necessidade da reinvenção do Cruzado (1986)
Pra ser um soco bem dado nos flancos da inflação:
Mas, o susto foi do povo, pois nem o Cruzado Novo (1989)
Botou a “fera” no chão

Um caçador de marajás, famoso, grande esperança
Cassou foi nossa poupança, e, ressuscitou o Cruzeiro (1990)
Prevendo um tiro certeiro no peito da inflação:
Mas, ele é quem foi cassado, pois abrigava a seu lado
O pai da corrupção

Chamaram o Cruzeiro Real (1993), vindo pra matar a “bruta”
Muita gente entrou na luta, num magistral fuzuê:
Veio a tal U.R.V. *, cujo valor variava (1994)
Pra cortar de modo austero a quantidade de zeros
Com que a cifra já contava

Dando marcha à ré no tempo (1435), foram buscar o Real (l994)
Quando nosso “vil metal”, sem qualquer “maracutaia”
Enfrentou na mesma raia o "verdinho" americano:
A corrida foi parelha, era orelha com orelha
P’ra não dizer mano-a-mano

Mas alegria de pobre, de fato, sempre é fugaz
Não tendo ninguém capaz de torná-la permanente
Por isso mesmo que a gente como a melhor testemunha
Sente agora, de antemão, que a perniciosa inflação
Novamente mostra as unhas

O dinheiro não ser tudo e nem trazer felicidade
É desculpa, na verdade, de quem está longe dele
Pois triste será aquele que se tornar deserdado:
As amizades se afastam e as lembranças lhe bastam
Dos tempos de abonado

Já dispensamos Centavos, num evidente sinal
De que nosso bom Real já não é tão respeitado
E precisa ser prestigiado para alegria do povo:
Pois, se assim continuar, talvez não vá demorar
A surgir um Real Novo

(*) = unidade real de valor

A.L.Oliveira/abr/2011

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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Velocidade do Tempo

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O tempo, coisa engraçada
Às vezes, parece um nada
Mas em outras, no entanto
Chega até causar espanto
Seu vagaroso escoar

Ocorre certo momento
Em que a lentidão do tempo
É quase uma eternidade
Face à nossa ansiedade
Pra ver um mal terminar

Enquanto nas ocasiões
Em que as boas emoções
Mantêm a esperança acesa
Nem se percebe a lerdeza
No modo de caminhar

A diferença é mais viva
No futebol, na esportiva
Conforme marca o placar:
Se pende pro nosso lado
Queremos ver terminado
Bem antes de acabar

Porém, se o caso é contrário
Tornando as chances pequenas
Desejamos que o horário
Aumente um minuto, apenas
Nem que seja pra empatar

Na vida é bem semelhante
Tem uma idade importante
Que custa muito a chegar;
Quando a tal menoridade
É quase uma infinidade
Sem prazo pra terminar

Depois disso, companheiro
Os ciclos correm ligeiros
Até depressa demais
E vão deixando sinais
Que nem preciso lembrar
Pois a grande velocidade
Com que passam, na verdade
Nem se pode mensurar.

A.L.Oliveira/ago/2008
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sexta-feira, 25 de março de 2011

Meliponas

=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=0=


São abelhinhas silvestres
Que cobrem o globo terrestre
Com a doçura do mel
Cumprindo, ainda, um papel
Da mais alta relevância
Tendo em vista a importância
De sua nobre missão
Pois quando pousam na flor
Resulta de seu labor
Um bem pra vegetação.

São de extrema mansidão
Bem pequenas, sem ferrão
E levam o pólen da vida
Às flores, que, agradecidas
Respondem a esse atributo
Produzindo melhor fruto
Boas sementes e grãos
Pra que sejam replantados
Ou, ainda, aproveitados
Em nossa alimentação.

São tantas as variedades
E muitas as qualidades
Desses bichinhos alados
Frequentemente encontrados
Até na cidade grande
Pela fama que se expande
Face à própria credencial:
Pois, há gente que garante
Que seu mel, como adoçante
Tem valor medicinal.

As cores são bem distintas
Algumas, pretas, retintas
Como a asa da graúna
Principalmente as tubunas
Que se destacam entre elas
Das jataís, amarelas
E de outras, diferenciadas
Embora da mesma laia:
Pois, jandaíras, mandaçaias
São maiores e douradas.


A.L.Oliveira/out/2009

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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Além do Além

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Numa noite de lua cheia
Por volta de três e meia
Horário da madrugada
Dormindo em minha morada
Sonhei ter desencarnado
Mas, algo me intrigava
Quando um gaiato, falava
Olhando o céu, assustado:

Como diz o velho ditado
Tá mesmo o mundo virado
E não tem mais compostura
Ao permitir que a figura
De qualquer alma penada
Ande aí fora de prumo
Completamente sem rumo
Voando desajeitada.

Enquanto planava, à toa
Nas alturas, numa boa
Contemplava a natureza
Na mais completa leveza
Do corpo sem consistência:
Pois fantasma, mesmo obeso
Não dispõe de qualquer peso
Nem mesmo na consciência.

Acordei logo em seguida
Dando graças pela vida
Muito embora em sobressalto
Pois a visão lá do alto
Só traz saudades do chão
Pra quem não é passarinho
E não sabe voar sozinho
Nem mesmo de avião.

Agradeço ao Onipotente
Por estar aqui presente
Enquanto faço meus versos
Pois o Rei do Universo
Com tanta coisa a fazer
Encontra sempre algum jeito
De acompanhar um sujeito
Que mal consegue escrever.

A.L.Oliveira/mar/2008

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Repassando Mensagens

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Meu prezado internauta
Bom colega e bom amigo
Reflita um pouco consigo
Ao repassar as mensagens
Por vezes, simples bobagens
Que nem merecem ser lidas
Muito menos remetidas
A quem lhe preza e quer bem;
E que já pautou a vida
Num modo de ser vivida
Na forma que lhe convém

Não sei se certo ou errado
Mas é o que sempre faço
Ao receber calhamaços
De certas advertências
Vou direto à procedência
A que se refere o fato
Pra ver se aquilo é boato
Ou tem fundo de verdade;
Mas, geralmente, acontece
Que o tal assunto carece
De alguma autenticidade

Confiemos, desconfiando
Daquilo que recebemos
Pois muitas vezes não vemos
As grosseiras pegadinhas
Por dentro das entrelinhas
De pregações religiosas
Ou de curas milagrosas
Que circulam aos quatro ventos;
Pois, se tivermos paciência
Vamos ver que a ciência
Nem teve conhecimento

Também deleto sem culpa
Toda mensagem inventada
Por pessoas desocupadas
Que não medem a agressão
De impor-me a obrigação
De repassar tais correntes
Pra importunar os viventes
Que tem mais o que fazer
E, tampouco, querem ler
Qualquer missiva insolente

Ao finalizar a prosa
E mandar o meu abraço
Outra sugestão que faço
Num dever de lealdade
Preservando a privacidade
Dos que tenho tanto apreço
É que retirem endereços
Do rol de certas mensagens
E, coloquem os destinatários
Ocultos (cco) nos formulários
Da sua nova postagem

A.L.Oliveira\mar\2010

"OBS: Quando repassar qualquer mensagem, por favor:
I. Apague o e-mail de quem lhe mandou, os nomes e demais endereços se existentes, antes de reenviar;
II. Encaminhe aos destinatários sempre como cópia oculta (Cco);
III. Nunca coloque endereços na linha PARA;
Se assim agirmos estaremos dificultando a disseminação desenfreada de vírus, spams e banners que infestam a internet"

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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo

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Imaginando essa vida
Como se fosse a corrida
Em busca de uma medalha
E a cada ano a batalha
Que pretendemos vencer;
Vamos partir e correr
Agora em dois mil e onze...

Para encontrar o tesouro
Pois, se não acharmos de ouro
Que seja de prata ou bronze.

Que o Sublime Treinador
Nos dê a força e o vigor
Do time dos vencedores.

E, mais ainda, os favores
Da paz, saúde e respeito
Na mais ampla sintonia
Com a beleza da harmonia
De um mundo justo e perfeito.

A.L.Oliveira/dez/2010
-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Poeminha

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-

Se soubesse romancear
Como certa amiga minha
Que considero rainha
Na arte de versejar...

Se, acaso, como tem ela
Tivesse em minha janela
A luz da lua no mar...

Talvez pudesse arriscar
Um verso, uma poesia
Vendo a onda, noite e dia
Ali a me namorar.

Mas, por esse descompasso
Não vejo os beijos e abraços
Que ela pode enxergar.


A.L.Oliveira/ago/2008
-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quero-quero



É sentinela avançada
Resquício da luta armada
Que se travou neste pampa
Lembrando bem a estampa
Do destemido guerreiro
Que avistava primeiro
Uma invasão na coxilha;
Pois reproduz a bravura
Dessa lendária figura
Do soldado farroupilha.

Sempre alerta, sinaleiro
Como se fosse escoteiro
Atento a seu compromisso
Jamais dormiu em seu serviço
Pra não perder um conflito
Ganhando, às vezes, no "grito"
Que recebeu de herança;
Porém, se invadirem a casa
Não raro, saca da asa
A mais poderosa lança.

Ave garbosa e valente
Espanta animal ou gente
Que ignore os sinais
Ou, se aproxime, demais
Do filhote em crescimento
Pois, nesse exato momento
Em geral, na primavera
Ao defender o seu ninho
Deixa de ser passarinho
Pra se tornar uma “fera”.


A progressão da família
Depende dessa vigília
Pois são tantos invasores
Inclusive,  predadores
Do mundo dos animais
Que desde seus ancestrais
Fustigam a população
Daqueles que a natureza
Foi madrasta, com certeza
Ao dar-lhes ninho no chão.

A.L.Oliveira/ago/2006

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Canta, Canta, Sabiá

o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o
Na madrugada, antes do raiar do dia
A sinfonia, nas manhãs de primavera
Não é quimera, é real, pura verdade
Quando a cidade ouve a linda serenata
Vinda da mata, gravada ao vivo por lá
No bico do sabiá, hoje morador urbano
Que a cada ano vem à guisa de acalanto
Unir seu canto ao quadro raro da beleza
Que a natureza, oferece ao ser humano.

Talvez como eu, também ele um retirante
Que vaga errante à procura de seu lar
Hoje, ao lembrar, fique triste, magoado
Já que o roçado da origem de seus pais
Não existe mais da mesma forma e jeito
Tal como foi feito, com engenho e arte
Sendo um estandarte bordado a esmero
Que tinha o tempero e a aura do amor
Cujo resplendor se via em toda parte.

Quem sabe, agora, só se espanta o tédio
Não há mais remédio, nem há retrocesso
Coisas do progresso, que só vai à frente
Deserdando a gente de quaisquer apegos
Pra buscar empregos, novas oportunidades
Nas grandes cidades, onde a convivência
Pede mais prudência, exige mais coragem
Pois a bandidagem, especialmente à noite
Aplica seu açoite, com mais violência.

Cantemos parceiro, porém, mais baixinho
Pra ocultar o ninho, de algum malfeitor
Ante o desamor que têm certas pessoas
Que só tecem loas a quem faz maldade
Infligem crueldade a homens e animais
Apóiam marginais e brigam por bandidos
Sempre absolvidos, por “ um tal direito”
Que trata o sujeito que prefere o mal
Como sendo igual aos mais comedidos.


A.L.Oliveira/out/20
05
o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Cada Um na Sua

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o
Adormeci, sonhei ser poeta
mas, sem musa nem assunto
pois não vinha no bestunto
qualquer coisa aproveitável
foi então que achei viável
pra sair dessa enrascada
versejar sem dizer nada
riscando a esmo um papel
sem ter lápis ou pincel
nem mesmo a cor desejada.

Enquanto não vinha o mote
Buscava mil devaneios
que desprezava, eram feios
por fugazes, e, abstratos
tal e qual fossem retratos
desfocados, cuja imagem
vista apenas de passagem
com a rapidez de um raio
e, quase sempre, de soslaio
não passavam de miragens.

Busco então velhos arquivos
lá do fundo da memória
a procura de uma estória
guardada nalgum cantinho
quem sabe, certo escaninho
em desuso, anos a fio
vou direto, sem desvio
esperançoso, com certeza
mas tenho a grande surpresa
de encontrá-lo vazio.

Resta agora tão somente
depois do sonho acabado
lembrar de um velho ditado
na falta de outra saída
e partir pra despedida
com um sorriso amarelo
sincero, humilde, singelo
embora bem verdadeiro
“quem nasceu pra sapateiro
não vai além do chinelo”.

Antonio Luiz de Oliveira – jun/2005
-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Passeando pelos Pampas

-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-

Amigos e companheiros, alguns que nem sei o nome
Vou servir de cicerone pra lhes mostrar o Rio Grande
Que por onde a gente ande, carrega sempre no peito
Com carinho e reverência, pois o mapa da querência
Merece o maior respeito.

Pra quem sai de Porto Alegre, com destino ao litoral
Toma o norte da capital, passando por Santo Antonio
A bela terra dos sonhos, do melado e da rapadura
Do arroz, dos canaviais, e de tantos produtos mais
Provindos da agricultura.

Tem outro artigo famoso, que se tornou conhecido
Pela forma que é produzido nos recantos dessa praça
Pois me refiro à cachaça, a qual se tira o chapéu;
Constando que a tal “marvada”, só aqui é destilada
Com o azul do próprio céu.

O mar, adiante de Osório, é o maior “açude” daqui
Vai de Torres ao Chui e pro Uruguai se expande
Passa o porto de Rio Grande, na mais antiga cidade;
Sendo hoje a capital da grande indústria naval
Em franca prosperidade.

No roteiro está Pelotas, que é do sul nossa princesa
Pois aqui tem as belezas de uma cidade importante
Gente culta e elegante, muito trabalho e progresso;
Faz do doce um Festival, além de ser manancial
De cultura e de sucesso.

O pernoite é aqui mesmo, pra bem cedo ir a Bagé
Onde espera um bom café, na Rainha da Fronteira
Servido à moda campeira na entrada de um galpão;
Depois, nossa caravana, vai direto pra Santana
Na divisa da nação.

Aqui termina o Uruguai e começa o nosso Brasil
Numa divisa sutil, às vezes, nem percebida
Pois somente uma avenida separa as duas cidades;
Fazendo com que Rivera, e, a Santana, brasileira
Sejam a mesma comunidade.

Uruguaiana é bem longe, como afirma um cancioneiro
Mas, não temas, companheiro, solte as rédeas do cavalo
E vá levando no embalo, conforme diz o ginete;
Pois, se já chegou aqui, vá também a Quaraí
Bem pertinho do Alegrete.

Nessa vastidão enorme em que a pátria brasileira
Acompanha nossa fronteira daqui até as Missões
Se conservam as tradições do povo bom missioneiro
Cantadas de Sul a Norte, onde acharemos, com sorte
Um fandango galponeiro.

Avistando o Alto Uruguai, dê mais rédeas ao seu pingo
Pois é dia de domingo e não há qualquer perigo;
Veja a soja, veja o trigo, nessa amplidão sem fim;
Isto aqui é outro mundo, pra quem sai de Passo Fundo
Em direção a Erechim.

A cidade é majestosa, com prédios pra todo lado
Traz o progresso estampado do povo que tanto ama;
Logo adiante está Gaurama, vamos chegar de inopino
Nos potentes mananciais das ricas fontes termais
Das águas de Marcelino.

Grande rio marca a divisa com o estado catarinense
Mas ainda nos pertence uma enorme superfície
Que não é mais a planície dos campos, da pradaria;
Mas, é terra fértil e boa, pois estamos em Lagoa
Pertinho de Vacaria.

Logo ali, Cima da Serra, faça a busca do seu pala
Tire o casaco da mala, que a temperatura é baixa
E, às vezes, muda de faixa, pra cair de modo brusco;
Lembrando um dito pitoresco, do linguajar gauchesco
Sendo um "frio de renguear cusco”.

Vacaria, Bom Jesus e São José dos Ausentes
Tem levado muita gente pra conhecer as nevadas
Ou então a grande geada, de extasiar o turista;
Tem também muita labuta, grande plantação de frutas
Maçãs a perder de vista.

Perto estão os Aparados e o “canyon” de Cambará
Que por certo lembrará, pelo tamanho e beleza
O que as forças da natureza colocaram lado a lado
Sendo o marco mais profundo, talvez o maior do mundo
A dividir dois Estados.

Vamos pegar a estrada, São Chico está no caminho
E se houver um tempinho comeremos seu pinhão
E quem sabe, um chimarrão, pra esquentar o pescoço
Ou, se quiser, nada faça, enquanto o churrasco assa
De carne gorda e sem osso

Que tal um pulo a Caxias, chegar na Festa da Uva
Que mesmo em dia de chuva vale a pena uma visita
Pra ver a fruta bonita com que se faz o bom vinho
Ver seu desfile crescente que reúne anualmente
Os municípios vizinhos.

Agora, vamos em frente, para os lados de Gramado
O tempo é enfarruscado, mas não há maior problema
No Festival do Cinema, um de seus grandes tesouros
Que é latino-americano, onde o melhor filme do ano
Ganha o “kikito” de ouro.

Nossa andança imaginária termina em Santa Maria
Quando encerra a romaria, no centro universitário
No qual há um santuário dedicado à Medianeira;
Rogando à Mãe Celestial, uma bênção especial,
Para a nação brasileira


Antonio Luiz de Oliveira/ago/2004

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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Bom Senso

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Disse um mestre, certo dia
Que a grande sabedoria
De qualquer homem sensato
É nunca espalhar um fato
Que lhe contaram de alguém
Sem antes meditar bem
Pra filtrar na consciência
Passando por três peneiras
Onde estarão as maneiras
De medir as conseqüências.

Na primeira, a da Verdade
Haverá oportunidade
De um exame caprichado
Pra saber se o propagado
Tem origem e consistência
Que preencha a exigência
De seu próprio pensamento:
Pois se vazar nessa malha
Certamente quem espalha
Vai ter aborrecimentos.

Da Bondade é a segunda
Onde o teste se aprofunda
Em trama um pouco mais fina
Quando ali mesmo termina
Caso escorra em orifícios
Que mostrem existir indícios
De disfarçada maldade;
Sendo assim, ficar calado
Além de bom pros dois lados
Também será caridade.

A terceira, da Utilidade
Quer saber da necessidade
De divulgar-se a matéria
Talvez, grosseira pilhéria
Que não agrada aos presentes
Nem, tampouco aos agentes
Que se aponta na ocasião;
Pois, se verteu na primeira
Na segunda, e, na terceira
Merece é sumir no chão.

A.L.Oliveira/nov/2007
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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Quatro Estações

O clima se modifica de acordo com a estação
Ao longo da translação que faz o globo terrestre
Expondo a cada trimestre a quarta parte da esfera
Ao astro da atmosfera que regula a temperatura
Mandando lá das alturas, em sua faina de ofício,
Os mais reais benefícios, pra todas as criaturas.

Sendo quatro e anuais, numa seqüência que passa,
Dão o ar da sua graça sempre em forma trimestral
E de modo especial, trazem o bem ao ser humano
Quando as estações do ano, tão distintas, variadas,
Em geral são esperadas com a mesma ansiedade,
Pois fazem a felicidade no meio rural e urbano.

Traz consigo a Primavera a beleza e os odores
É a estação das flores, coisa linda que aparece
Quando tudo refloresce, rebrotando os vegetais,
E até mesmo os animais procuram a reprodução
Pois o ciclo da criação ressurge muito mais forte
Despertando nos consortes os impulsos paternais.

O Verão chega mais quente, em todas as latitudes,
Parecendo a juventude, pela qual todos passamos,
E, depressa caminhamos, pra construir bravamente,
O futuro no presente ao projetar as famílias,
Conservando a vigília, de quem ama aquilo que faz,
E mostra do que é capaz, do modo mais eficiente.

Caem as folhas no Outono, marcando bem o ocaso
E não será por acaso, que esse tempo é de colheita
Quando o homem aproveita os frutos da mocidade
Pra depois, com mais idade, dedicar o grande zelo
Até a um fio de cabelo, que teima em cair no chão
Influência da estação em que perde a vitalidade.

E o Inverno, minha gente, traz de volta o minuano
Vento maluco e tirano, que penetra até na alma,
Ricocheteia, sem calma, pelos campos e cidades
Castigando, barbaridade, especialmente a velhice
Que se encontra na planície onde não há mais vigor
Nem um poncho protetor pra lhe aquecer de verdade.


Antonio Luiz de Oliveira/nov/2004