sexta-feira, 20 de novembro de 2009

52º Rancho do Radioamador Gaúcho

Rancho do Radioamador
Trata-se de festividade realizada anualmente no Rio Grande do Sul, congregando operadores do radioamadorismo e familiares, não só gaúchos e brasileiros de outros estados, como também, muitos colegas provenientes de países vizinhos, com os quais são mantidos contatos regulares por radiocomunicação.
É uma festividade muito bonita, ocupando sempre um final de semana, quando são organizadas várias atividades sociais de congraçamento entre os aficionados e simpatizantes desse maravilhoso “hobby”, tais como, passeios, jantares, bailes, palestras e debates sobre assuntos de interesse da classe, exposição de novidades tecnológicas, feira de troca-troca de equipamentos, exames para ingresso e promoção de classe, etc.
O encerramento dessas reuniões culmina com a eleição de uma das colegas presentes, geralmente a esposa do organizador (se licenciada oficialmente como operadora), sendo dali para frente a Rainha dos Radioamadores, até a próxima festa.
Nessa ocasião também é sorteada a cidade onde será feita a próxima edição, bem como escolhido o nome de um dos colegas lá residentes, o qual ficará encarregado do evento.
O primeiro desses encontros aconteceu em 1948, na cidade de Tupanciretã, e, o último, em 2009, 57ª edição, na cidade de Bagé. O próximo, em 2010, será realizado em São Gabriel.
O 52º Rancho ocorreu na cidade de Erechim, em 2004, sob a presidência do competente colega PY3LC-Nery Danese, acompanhado da esposa Rosane – PY3EU.
Na época, elaborei os versos transcritos abaixo, na tentativa de descrever alguma coisa da cidade anfitriã, a título de divulgação do convite de forma diferenciada.

52º RANCHO DO RADIOAMADOR GAÚCHO

Colegas sejam bem-vindos à cidade de Erechim,
Um grande e belo jardim plantado ao norte do Estado,
Deixem o estresse de lado, e, fiquem bem à vontade,
Pra respirar o ar puro, pois ali mora o futuro,
Esbanjando prosperidade.

Pra quem sai da Capital, e atravessa Passo Fundo,
Vai avistar novo mundo que aos poucos se descortina,
Descobrindo em cada colina, coberta de soja e trigo,
Uma amostra da fartura que tem sua agricultura
Para mostrar aos amigos

Há indústrias ervateiras de primeira qualidade
Permitindo que a cidade faça até exportação
E tome o bom chimarrão da seiva verde mais pura
Cevado em cuia nativa, da maneira primitiva,
Conforme manda a cultura

Na produção de cereais, já foi mesmo o pioneiro,
Sendo do trigo o primeiro, com o nome de capital;
Hoje, é pólo industrial, do mais extenso valor,
Pois do seu parque fabril saem produtos pro Brasil,
E, também, para o exterior.

Toda a pujança do povo decorre de várias raças
Que chegaram a essa praça, vindas de vários países,
E ali fincaram raízes com a força do próprio braço
Provando pros descendentes de que os fortes e valentes
Acham sempre o bom espaço

Foram tantas as etnias que ultrapassaram oceanos,
Sendo muitos italianos, alemães e portugueses,
Espanhóis, também franceses, que junto dos brasileiros,
Poloneses e judeus, bem longe deixaram os seus,
E ali chegaram primeiro

Centro que aglutina o povo de uma imensa região
Desenvolve a educação e o comércio em geral,
Tem intensa vida social que congrega a comunidade,
E, seu progresso visível, é notado em qualquer nível,
De que se olhar a cidade

A despedida é cruel no final de qualquer festa
Quando apenas o que resta são abraços fraternais
Aos colegas, aos “cristais”, sejam louras ou morenas;
Levem nossa “cartolina", e, até um “dobrar de esquina”
Ou, novo “cruzar de antenas”

Antonio Luiz de Oliveira/set/2004

Obs:
Cristal(componente essencial do rádio) = esposa, companheira
Cartolina = cartão comprobatório do contato (QSL) via rádio
Dobrar de esquina = encontro casual
Cruzar de antenas = contato estabelecido




sábado, 14 de novembro de 2009

Porto Alegre dos Casais

Herrmann Wendroth: Porto Alegre vista das ilhas do Guaíba, 1852


Capital do meu Rio Grande, mui leal e valorosa
Jóia rara, majestosa, com destaque entre as demais,
Já foi Porto dos Casais, conforme seus fundadores,
Que, saindo dos Açores, navegaram muitas milhas,
Conduzindo suas famílias, desde a pátria Portugal,
Pra serem deste local os primeiros moradores (1752).

Madre de Deus de Porto Alegre, a primeira Freguesia,
Desmembrada da Prelazia situada em Viamão (1772),
De onde vieram, então, os comandos principais,
Conforme dizem os anais cadastrados na memória
Que traz a saga da história do começo da cidade,
E, leva à posteridade, os feitos dos ancestrais.

Veio a ser a principal, tanto grande quanto bela,
Tal e qual uma donzela, prenda faceira e bonita
Tem seu vestido de chita, bordado da cor lilás
Da flor dos jacarandás, que as avenidas e praças
Ostentam com tanta graça, carinho e dignidade,
Mostrando a fraternidade, o aconchego e a paz.

Emociona os poetas como também os pintores
Ao perceberem os fulgores de cada novo arrebol
Quando o belo pôr-do-sol, que parece uma miragem,
Vem compor uma imagem, realmente de verdade,
Trazendo à realidade, a cor, num tom jamais visto,
Não havendo outro registro de semelhante paisagem.

Já foi palco, no passado, de escaramuças, disputas,
Enquanto assistiu as lutas de gaúchos legendários
Obrigando os adversários a dobrarem os espinhaços
Diante do calor do aço, desses bravos farroupilhas,
Que abriam novas trilhas nos caminhos da liberdade,
Mostrando contrariedade aos desejos totalitários.

Este singelo apanhado que consta desta mensagem
Representa uma homenagem que faço com humildade,
Pelas oportunidades, com que fui agraciado,
Pois, além do aprendizado, deu-me carinho e suporte,
Pra ter hoje como norte, gravado na consciência,
O dever de reverência a essa terra abençoada.

Antonio Luiz de Oliveira – mar/2005

sábado, 7 de novembro de 2009

Rua Eva, 7087/Itanhaém/SP

Ao ensejo do Dia do Radioamador Brasileiro, transcorrido recentemente, temos a satisfação de cumprimentar os prezados colegas, levando nosso fraterno abraço a todos os praticantes desse “hobby” reconhecido de utilidade pública.
A atividade foi regulamentada pelo Decreto nº. 16.657, publicado no Diário Oficial da União, de 05.11.1924, atendendo à representação da Academia Brasileira de Ciências, que atestava a existência das estações destinadas a tal finalidade no país.
A propósito, estamos publicando abaixo um modesto trabalho elaborado em jul/2006, em homenagem à querida colega PY2DHP, Elza Cobra de Moraes, uma das mais conhecidas e atuantes radioamadoras do Brasil, que, operando na freqüência de 7.087 mHz, de segunda a sábado, diretamente da cidade de Itanhaém, litoral paulista, coordena a rodada RUA (Rodada Unindo Amigos), das 9 às 11,30 hrs e a rodada EVA (Encontro dos Verdadeiros Amigos) das 14 às 16,30 hrs, ambas de abrangência nacional, dependendo das condições de propagação.

RUA EVA, 7.087, Itanhaém/SP

Bom dia, minha colega,
Como é bom falar contigo,
E, saber que continuas,
Passeando com teus amigos,
Numa imaginária R U A, (*)
Desse fabuloso mundo.

E, mais tarde, num segundo,
Quando incorporas a E V A, (**)
É você mesma quem leva,
Outro abraço, verdadeiro.

Agora, ao país inteiro,
Saudando, de Sul a Norte,
Aqueles que tenham a sorte,
De encontrá-la na freqüência.

Onde mora a competência,
De uma ilustre comandante,
Muito alegre, perspicaz,
Que consegue ser capaz,
Na sua faina constante,
De levar amor e paz,
A cada amigo distante.

Com certeza, a Elza, Cobra, (***)
E, isso não é maldade,
Nem, tampouco, desfavor;
Pois, tu “cobras”, na verdade,
O carinho, a amizade,
De qualquer radioamador.



A.L.Oliveira/PY3AL /jul/2006

* = Rodada Unindo Amigos
** = Encontro dos Verdadeiros Amigos
*** = Elza Cobra de Moraes – PY2DHP - (perdão, pelo trocadilho)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Livraria a Céu Aberto



Frequento a Feira do Livro desde a primeira edição
E assisto, com emoção, seu crescimento e sucesso
Resultante do progresso e da cultura de um povo
Que mostra o que há de novo a cada ano que passa
Sempre ali, na mesma praça, onde teve o seu início
Modesta, com sacrifício, mas, hoje cheia de glórias
Foi inserida na história, como evento tradicional
Orgulhando a Capital, que a viu nascer, florescer,
Viu expandir-se e crescer em quantidade e beleza
Coroada, com certeza, do prestígio nacional.

No começo eram barracas montadas por editores
Reunindo os escritores, especialmente gaúchos
Num ambiente sem luxo, repleto de jornalistas
De poetas, de contistas, e outros menos votados
Sendo todos igualados, aos leitores, aos amigos
Tanto novos como antigos que aproveitam o evento
Pra levar um lançamento recém saído das prensas
Com ofertas, diferenças, nos preços, nas cortesias
No desconto das livrarias, além do gáudio do autor
Que vê em cada leitor, o melhor das recompensas.

Grandiosa festividade de entusiasmo e cultura
Onde passam criaturas de diversas procedências
Algumas com referências, por seus feitos literários
Professores, funcionários, doutores ou estudantes
Mas, todas elas amantes de novos conhecimentos
Envolvidas no movimento, que há mais de 50 anos
Vem subindo soberano, com fama e repercussão
Em rádio ou televisão, sem falar na mídia impressa
Geralmente onde começa, por dever de afinidade
A primeira publicidade em torno da exposição.







Velho Largo da Quitanda, em plena festa de cores
Traz o perfume das flores dos frondosos jacarandás
E, o canto dos sabiás, que enche o ar de alegria
Relembrando a poesia e a grande figura humana
Do saudoso Mario Quintana, que continua na feira
No balcão, nas prateleiras, e, no meio dos visitantes
Pois, sendo eterno feirante, que um dia já foi patrono
Ganhou merecido trono bem ao lado de Drummond
Cantores do mesmo tom, e, amigos particulares,
Dois poetas luminares, degraus acima dos bons.



A.L.Oliveira/out/2006

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Primavera


Vem chegando a Primavera com toda a sua beleza,
E, as forças da natureza em explosões multicores,
Vão abrindo suas flores para enfeitar nosso mundo
Envolto em sono profundo durante o frio do Inverno,
Despertando agora fraterno e todo cheio de amores,
Pra receber os odores de um tempo novo e fecundo.

Aqueles que vêem a vida num plano de melhor jeito
Não conseguem pôr defeito onde está a Sabedoria,
Que nos mostra todo dia sua Força, com sutileza;
Faz do feio uma Beleza, abrindo novos caminhos,
E, onde se viam espinhos, no momento, há uma flor,
Alertando pro valor da crença na natureza.

Tudo é vestido de verde no reino dos vegetais,
As folhas brilham demais, envolvendo novo fruto,
Que será outro produto na riqueza da colheita,
Programada pra ser feita já na estação futura,
Quando a fruta está madura querendo cair do pé,
Reforçando nossa fé numa Entidade Perfeita.

Mudanças também ocorrem no mundo dos animais,
Para menos, para mais, tudo na mesma seqüência,
Até mudam de aparência, pra buscar acasalamento,
Pois é chegado o momento de procriar novamente,
Quando o instinto é ciente da grande oportunidade,
De haver continuidade sem qualquer açodamento.

O bicho-homem, soberbo, se a memória não me falha,
Às vezes muito atrapalha e, com tristeza, confesso,
Pois em nome do progresso, numa atitude funesta,
Destrói a própria floresta ao lançar seus desafios,
Quando assoreia os rios, faz queimadas, usa veneno,
Polui a água e o terreno, e, ainda ri do que resta.

Se acaso houvesse concurso, pra atribuir uma nota,
Sem aparentar chacota, e, nem fosse uma pilhéria,
A indicação mais séria, merecida, justa e sincera,
Como prêmio à Primavera, seria um dez, eu espero,
Reservando nota zero, e, mais alguns desfavores,
Pra todos poluidores da terra e da atmosfera.


Antonio Luiz de Oliveira/nov/2004

"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais
saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem
possua jardim para recebê-la”. Cecília Meireles,
poeta carioca."

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Mui Amigo

Tão suave e delicado
Como vinho fabricado
Somente de boa uva,
Empresta seu guarda-chuva
Quando há sol no horizonte,
E, nenhum sinal que aponte,
Nem mesmo o anoitecer;
Mas, às vezes, nos revolta,
Querendo tomar de volta,
Se mal começa a chover.

Desenvolto, competente,
Parece viver contente
Fazendo aquilo que adora,
Ao cobrar juros de mora
Sem descuidar-se um segundo,
Pois, dedica amor profundo,
Semelhante ao matrimonial,
A todo e qualquer momento
Das fases de crescimento,
Do chamado “vil metal”.

Faz parte da própria “raça”,
O não dar nada de graça,
Nem boa tarde, nem bom dia,
Contrariando a filosofia,
Dos senhores e senhoras,
Pois, cobra até pelas horas,
Se acaso for perguntado;
Mas, “sensível” como luva,
Oferece seu “guarda-chuva”,
Se o tempo não for nublado.

Rezemos, depois, irmão,
Antes da devolução,
Que nosso contrato exige,
Implorando a Santa Edwiges,
Protetora de endividados:
Faça a nuvem se mover,
Pra que não volte a chover,
Ao menos por estes lados.

A.L.Oliveira/jul/2007

“Banqueiro é um sujeito que nos
empresta um guarda-chuva quando
faz sol e o pede de volta quando
começa a chover”. Mark Twain