No meu tempo de criança fiz tudo àquilo que pude,
joguei bolinhas de gude, tive meu gado de osso
acolherado ao pescoço com corda feita de embira,
devidamente trançada, depois de bem descascada
e unida tira por tira.
Tomava banhos de sanga na melhor praia da gente,
com água limpa e corrente, de verdade, sem mentiras,
onde os jundiás e traíras tinham mais de palmo e meio,
contando só os “menores”, pois, se falar nos maiores,
vão pensar que é devaneio...
Tive meu carro de lombas com rodas feitas a facão,
no qual corri muito chão, encima de uma forquilha,
descendo várias coxilhas com garbo e felicidade,
talvez, a cinco por hora, conforme recordo agora,
da “grande velocidade...”
Brinquedo bom e barato, porém, às vezes, suplício,
quando exige o “sacrifício” da garota ou do garoto
que se meter a piloto, sem estar bem preparado,
pois, como tudo na vida, só se acha uma descida,
depois do morro escalado.
Saudades do que se foi, do vagar e da inocência,
bem longe da violência que impera hoje no mundo,
e, sepulta em solo profundo todo o amor das criaturas,
levando os homens de bem a se trancarem, também,
nas mais fechadas clausuras.
A.L.Oliveira/set/2010
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